História
ANTÓNIO COSTA
Um percursor da inovação há mais de meio século
Cessando a actividade do estabelecimento com firma COSTA & FILHO SUC., propriedade de seu pai e onde aprendeu a “arte do comércio”, António Costa, nos anos 40, tornou-se comerciante por conta própria.
Significativamente designou o seu estabelecimento por “A Inovadora”, o que, em sua ideia, era mais que um simples nome de fantasia .
Com efeito, António Costa, percebeu há mais de meio século, que a chave do sucesso era a inovação, antecipando o que agora, sábios economistas, comentadores, ou meros fazedores de opinião, serodiamente descobriram, mas que, nem por isso ,com ar sisudo, o proclamam como novidade.
Citando o actual Presidente da Câmara de Gouveia, “António Costa foi um percursor, que teve razão antes do tempo apostando na inovação, hoje tão em voga”.
Mas vamos a factos.
A sua estratégia comercial foi tornar – o que na época não lembraria nem ao diabo – núcleo duro do seu negócio, uma área marginal da actividade do estabelecimento tradicional, de seu pai , conseguindo para si a continuidade da agência de reputada marca de rádios, a Philips!
A isto, que então seria ,como agora se diz um “nicho de mercado” antecipa o actual conceito de assistência pós-venda, instalando oficina própria, que foi, diga-se, local de formação de alguns jovens vilanovenses.
Concretizada a ideia, passou a ser único numa vasta região do centro interior do país, num negócio que não foi mais longe, porque aos tempos não convinha, ou se convinha, só a “poucos” era permitido ir longe demais. Ou seja : ir longe, para todos, só para o Congo (belga ou francês)...o que veio a revelar-se útil ao negócio de António Costa, que acabou por angariar entre estes emigrantes vastíssima clientela.
Assim, foi inundando a região com rádios, através de uma sábia e laboriosamente montada rede de sub-agentes e comissionistas e de um também original e singular, na época, sistema de vendas a prestações.
Difundindo por estes meios a rádio – e porque não dizer democratizando - difundiu o conhecimento (oficial e não oficial), num tempo em que era suposto (ou imposto) não ir alem do saber ler escrever e contar.
Eis pois também, como hoje se diria, um percursor da sociedade do conhecimento!
Aliás era aquela a formação de António Costa, sendo autodidacta em tudo quanto respeita ao saber comercial, ao progresso da técnica e tecnologia no domínio da electricidade e depois da electrónica.
Ainda tentou projectar, por certo seu sonho de menino, num dos seus filhos, mas o que seguiu Engenharia é hoje engenheiro civil e aquele por quem fez constar, que queria ser engenheiro electrotécnico, no suplemento “O Pagem” da revista “O Cavaleiro Andante” - ironia suprema – licenciou-se em Direito !
António Costa fundou também um rádio emissor local, antecipando agora os rádios piratas dos anos 60, estação que só funcionava ao Domingo, único dia em que o chefe da estação dos correios lhe fazia o favor de ceder as pilhas do telégrafo, fonte de alimentação do emissor. Um “amigo do peito”, que por esses tempos, cursava em Lisboa, Medicina Veterinária, fornecia os auscultadores das cabinas telefónicas públicas, que os então TLP lhe “dispensavam” e que depois António Costa transformava em microfones para o serviço da sua estação.
Como não podia deixar de ser não foi feliz o destino do emissor, encerrado que foi por “incomodidades” várias, que não aquela dedicatória de um tango de Gardel, intitulado “Desconfiai...” a uns senhores que jogavam cartas numa mesa octogonal do Clube Boa União.
E por aqui ficaram as incursões de António Costa nos domínios da emissão.
No mais sempre na vanguarda da electricidade e electrónica, até ao feito supremo de ter conseguido captar a RAI (televisão italiana), quando em Portugal de TV só ainda se falava....
O que também é certo e para “encurtar razões” é que era notada a especial consideração com que António Costa era recebido na sede da PHILIPS e particularmente nos congressos de agentes.
Veio daí um convite para uma visita às fábricas de Eidhoven(Holanda), que lhe permitiu ver o museu de rádios antigos da marca, facto que está na origem da sua colecção
Colecção que teve honra de exposição no teatro da Trindade em Lisboa, na altura da apresentação da peça “Os Dias da Rádio” e como evento paralelo.
E colecção que doou aos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Tazem, fundando assim um Museu de Rádios Antigos, sabendo que por ela, formalmente, a Rádio Renascença tinha manifestado interesse.
Trata-se portanto de um legado que urge continuar, agora como coisa publica, e que responsabiliza os seus detentores, tornando-o num polo de dinamização e interacção cultural para Vila Nova , o concelho de Gouveia e a região.
E António Costa nos seus 88 anos, por bem, entenda-se, ainda “anda por aí” disponível para todas as iniciativas com tal objectivo.
